
Não faço poemas como quem chora,nem faço versos como quem morre.
Quem teve esse gosto foi o mais felino dos homens quando muito moço; achava que tinha os dias contados pela tísica e até se acanhava de namorar.Faço poemas como quem faz amor.É a mesma luta suave e desvairada enquanto a rosa orvalhadase vai entreabrindo devagar.A gente nem se dá conta, até acha bom,o imenso trabalho que amor dá para fazer.
Perdão, amor não se faz.Quando muito, se desfaz.Fazer amor é um dizer(a metáfora é falaz)de quem pretende vestir com roupa austera a beleza do corpo da primavera.O verbo exato é foder.A palavra fica nua para todo mundo ver o corpo amante cantando a glória do seu poder.